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Azoofa Indica: TIKA

27/01/2015

Marina Casonato – ou TIKA – nasceu em Rio Claro, simpática cidade do interior de São Paulo que fica a 180 quilômetros da capital. Lá, teve seus primeiros contatos com a música, que foi ganhando ainda mais espaço na sua vida durante a adolescência e ganharia ares de profissão quando montou a banda Quizumba, em São Carlos, para onde mudou-se em 2007 para cursar Música na UFScar.

A vinda para São Paulo se daria em 2012, já formada, e tinha um objetivo claro: gravar seu primeiro trabalho autoral. Dois anos depois, TIKA o realizou. Produzido por Fernando TRZ e com participações de nomes como Rodrigo Campos, Pipo Pegoraro, Thiago França e Tatá Aeroplano, o EP homônimo conta com 4 canções, sendo duas composições da própria artista. Neste sábado (31), ela se apresenta na Sensorial Discos, em show que mostra as quatro faixas do EP junto a versões para canções de compositores que ela admira, como Lucas Santtana e Caetano Veloso (saiba mais)

TIKA falou com exclusividade para o Azoofa sobre o show deste sábado, comentou as faixas do disco e contou quais são seus maiores desafios como compositora.

Confira os melhores trechos:

AZOOFA: Como rolou a decisão de estrear lançando um EP, e não um disco mais longo?

TiKa: Esse EP foi minha primeira produção como cantora solo, compositora e artista independente, participando de todos os processos, então achei melhor experimentar algo menor para começar.

Queria que você comentasse um pouco sobre as 4 canções. “Ele Quem” tem letra sobre uma relação amorosa sem solução, mas que gera uma criação artística, tudo envolto num instrumental bastante soturno…

Uma paixãozinha intensa (daí o instrumental cheio de texturas), que impossibilitada de florescer, se eterniza num poema.

“Turbilhão” é um samba com sotaque da nova música paulistana. Rodrigo Campos, Thiago França, Rômulo Froes foram influências nessa canção?

Não diretamente, porque eu compus essa música antes de vir morar em São Paulo e me aproximar desses artistas. Mas na hora de produzir, sim, eles foram influências. Convidei o Rodrigo e o Thiago na intenção de dar um sotaque de samba, mas diferente do samba tradicional.

“Doce Guia” e “Anjo” não são composições suas. Qual a relação que você tem com essas canções? 

Doce Guia é uma canção de Junio Barreto e 3 na Massa. Eu sou muito fã do trabalho do Junio, e tive seu apoio para gravar suas composições. Escolhi Doce Guia para o repertório pelo tema de amor efêmero (assim como Ele Quem), e por acreditar que seria uma super música de show, e de fato, ela funciona muito bem, rock’n roll total com o power trio ao vivo. Anjo é uma canção de Mário Martinez, que é um compositor amigo. Ele me mostrou um dia essa música no violão, me ensinou a cantar e a tocar a até gravou na hora num gravador de mão. Depois ouvindo com calma, resolvi registrá-la, também pelo fato de ser inédita.

Qual é o seu principal desafio como compositora?

Geralmente eu componho melodia e letra em cima de uma harmonia que crio no violão ou no teclado. Ultimamente tenho pensado em experimentar outras maneiras, como cantarolar a melodia e depois harmonizar, receber músicas para pôr letra, ou enviar letras para outros compositores, descobrir temas que me interessam para escrever sobre eles, ou seja, não tem um desafio principal, nesse momento todo o lance que envolve uma composição é desafiador pra mim.

O EP conta com participações de Tatá Aeroplano, Pipo Pegoraro, Rodrigo, Thiago e outros músicos. De que maneira esse clima de criação coletiva contribuiu para a sonoridade do EP?

Eles ficavam muito livres na gravação. Ouviam a música pré-produzida geralmente com voz, violão e teclados e iam criando as linhas dos instrumentos na hora. Eu ficava palpitando também até chegarmos numa ideia musical que agradava a ambos. A escolha da participação desses artistas teve a ver com a estética musical pensada para o disco, ou seja, cada um deles com sua personalidade musical única contribuiu muito para o conceito do EP.

O show na Sensorial Discos marca o lançamento do EP. Qual será a banda que vai te acompanhar e o que você está preparando para esta apresentação? 

Na verdade eu já fiz shows do disco em São Paulo, no Puxadinho da Praça e no Circo Paratodos da Funarte. Nesse show quem me acompanha é o Pipo Pegoraro na guitarra, Otavio Gali no contrabaixo, Tony Gordin na bateria, e eu fico na voz e mpc. No repertório tem músicas do EP, algumas composições novas e outras de compositores contemporâneos, como Rômulo Fróes e Clima, Rodrigo Campos, Lucas Santtana, Caetano Veloso e Pedro Sá, Rafael Castro, e Pipo Pegoraro.

A Sensorial vem promovendo diversos shows por lá, embora o espaço não seja grande. Pro artista, qual é a maior vantagem de tocar em um local menor e mais intimista?

A comunicação com o público durante as músicas é muito próxima, você enxerga os olhos de cada um, eu gosto disso. Também vou aproveitar o charmoso espaço da Sensorial para registrar em áudio e vídeo esse show.

Entre o palco e o estúdio, onde você se sente mais à vontade?

No palco, claro! O clima ao vivo me inspira muito.

Você também faz parte da banda Quizumba, que cria releituras de músicas brasileiras. Pretende seguir com a banda ou agora o foco é o trabalho autoral?

Pretendo seguir com a banda com certeza. Nós estamos juntos há sete anos, existe uma afinidade musical muito grande entre nós, e estamos numa fase boa em relação ao conceito do show. Espero tocar cada vez mais com a banda Quizumba.

Por fim: qual é o seu maior objetivo enquanto cantora e compositora?

Emocionar quem me ouve.

***

arte | belisa bagiani

fotos | divulgação

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QUEM POSTOU

Eduardo Lemos

jornalista, ex-aluno de futuro promissor, ex-músico de gosto duvidoso e ex-meia direita que já fez gol que saiu no jornal. contato: eduardo@soulplay.com.br

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