JÁ OUVIU: PAULO HO

20/02/2020

Performer lança Brutal, disco dividido em 3 partes que traz pop latino com ares de cabaré

 

 

 

Quatro anos depois de seu último disco, o carioca Paulo Ho está de volta com o disco Brutal, um projeto que será divivido em três partes ao longo de 2020. O primeiro volume, Brutal 1, saiu em janeiro e traz uma bom mistura pop com ritmos latinos.

 

 

Assim como o disco anterior, Ex-Companheiro (2015), esse trabalho nasceu de forma orgânica. Lançar outro disco não era uma cobrança. Paulo vem do teatro e, nesse intervalo, ficou mais voltado ao trabalho de ator. Foi na peça "Clérigo", em parceria com Pedro Sodré, que a sonoridade de Brutal começou a ganhar forma. Os dois perceberam que havia algo a explorar ali.

 

 

Ao final do projeto, os EPs formarão um disco de 10 faixas. No primeiro, a narrativa é em torno do encontro de duas pessoas que se apaixonam, passando por todos os desafios e medos que um amor pode trazer. Dos demais? "Ainda não tenho certeza", conta Paulo, que ainda está compondo e preparando as demais faixas.

 

 

O disco celebra também uma parceria antiga de vida: a amizade com a cantora Letícia Novaes, a Letrux. Amigos há mais de 15 anos, a dupla já esteve junta no palco em um projeto musical/teatral chamado "Tru & Tro". "Sinastria", primeiro single de Brutal, marca a primeira parceria dos dois na música, na voz e na composição -- que fala também de astrologia, um dos temas preferidos da cantora.

 

Abaixo, nosso papo com Paulo Ho e o clipe de "Sinastria", para quem ainda não viu.

 

 

De onde vem o Paulo Ho e onde sua história com a música começou?

 

PH - Basicamente eu venho do Teatro. Me formei em 2003 e fiz trabalhos como ator por dez anos. Minha família não é de artistas, nem nada ligado ao teatro, então, de certa maneira, foi um espaço de crescimento pessoal e independência. Mas o teatro serviu mais pra eu me descobrir como artista. Como ator eu ainda me sentia limitado. Participando de apresentações em shows de amigos, me dei conta que eu queria mesmo era cantar. Em 2013 eu morei com a Letícia Novaes (Letrux) e, ao ver um show dela, que era uma mistura de música e teatro, foi quando eu realmente decidi que era isso que eu queria fazer. Daí pedi a ela pra entrar no espetáculo, e assim comecei na música.

 

 

Para quem ainda não te ouviu, como você apresentaria o Paulo Ho?

 

PH - Como não sou músico, me defino muito mais como performer. Sempre gosto de pensar num projeto conceitual, algo que vá além da música, que abra caminho pra performances onde eu possa criar personas, ideias visuais e simbologias. Assim, acabo angariando artistas que embarquem nas minhas loucuras e desenvolvam comigo, mais que tudo, uma narrativa. Isso faz com que a música seja construída a partir de referências que por vezes não tenham a ver. Acho que gosto de misturar vertentes com um propósito narrativo.

 

 

 

 

O que te levou a optar pelo lançamento em partes em vez do disco cheio? 

 

PH - A ideia de criar a partir do que for acontecendo na história do projeto. Ir criando a narrativa na medida que eu for escrevendo e pensando sobre ela. Mudo muito de ideia e de cotidiano, então me pareceu uma ideia interessante. Ainda não tenho as letras dos volumes 2 e 3, por exemplo. A gente por enquanto está só desenvolvendo mais a sonoridade do primeiro EP enquanto eu estou pensando em como a história vai seguir. Quis me colocar mais no momento presente ao desenvolver o projeto.

 

 

 

 

Os temas variam de EP para EP? Esse veio na tecla das fases do amor. E os próximos?


PH - Ainda não tenho certeza, como disse. Mas, como gosto da ideias de ciclos, de iniciar e fechar uma história, talvez o desenrolar dessa seja a conclusão da relação começada no primeiro EP, seja lá o que isso queira dizer. Como quando entramos numa relação na vida mesmo. Mergulho no escuro. Essa história começou com uma vivência pessoal, com uma paixão, mas, não necessariamente, ela vai seguir baseada nisso ou em mim. 

 

 

O disco tem uma sonoridade alegre, o nome "Brutal" remete a algo mais duro, difícil.

 

PH - Quando decidi fazer um novo disco eu estava num período meio obscuro. Então escrevi letras muito tristes, profundas, que refletiam meu estado sombrio. Nesse meio tempo me apaixonei e tudo mudou. Me transformei numa pessoa solar, coisa que nunca fui. Então, senti que algo realmente brutal se deu com a entrada dessa pessoa na minha vida. Numa das músicas acabou entrando a expressão "Pasión bruta", daí foi uma descoberta pro nome.

 

 

Você tem uma longa vivência cênica. Como isso te ajuda na música?

 

PH - Não consigo desvencilhar uma coisa da outra. Quando penso num conceito pra shows ou músicas, imediatamente já vem a ideia cênica da coisa toda. Já penso em palco, em figurinos, em atitudes, personas. Acho que isso me ajuda a aliviar meu medo de cantar. Também me ajuda a criar e contar histórias.

 

 

Seu trabalho anterior, Ex-Companheiro, veio em 2015. Por que esse longo espaço para lançar outro trabalho? O que estava buscando?

 

PH - Porque eu não sabia se ia lançar outra coisa, não me cobrava isso. Eu fiz o Ex-Companheiro de forma muito orgânica, num impulso mesmo. Então não sabia se ia produzir outro material. Eu tento nunca me fechar ao que eu posso vir a fazer. Já pensei até em ser padeiro! Nesse período eu me voltei um pouco mais pro teatro novamente, escrevi, criei projetos e também apresentei um show chamado “Clérigo”, que era algo bem performático. Esse espetáculo não resultou em música, nem em audiovisual, mas que acabou trazendo o Pedro Sodré pra minha vida. Conversamos muito desde então em produzir algo, já que criamos uma sonoridade pro show, o que acabou resultando no Brutal. É agora um projeto que me anima, que vai ser meu destino ao longo desse ano. Mas o que eu vou fazer depois, não faço ideia.

 

 

Quem escreveu
Andréia Martins

É jornalista, trabalhou com edição e reportagem nos portais Vírgula, Globo.com e UOL cobrindo música, política e internacional. Hoje segue na redação e também é editora do Roteiros Literários, sobre literatura e viagem, e do blog Quadrinhas, sobre quadrinhos feitos por e sobre mulheres.

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