Diários musicais: perdi o voo mas não perdi Paris

Último dia em Paris

Na verdade, o certo seria dizer "última hora em Paris". Nós chegamos ao aeroporto exatamente às 9h17, descemos esbaforidos do ônibus circular 371 que nos pegou de manhãzinha em Marie de Lilas e nos levou até o Charles de Gaulle, e corremos até o guichê da Easy Jet. Não havia ninguém na fila de ckeck-in do nosso voo Paris-Liverpool que sairia às 10h, ou seja, dali a 40 minutos. Ninguém na fila não era um bom sinal.

Desajeitados carregando duas grandes mochilas, e ainda uma sacola e um violão, cansados por uma recém encerrada noite de bebedeira e sem nenhum minuto de sono desde o dia anterior, nós não éramos capazes de muitas coisas, mas ainda era possível sentir coisas, e vendo aquela fila vazia nós sentimos que tínhamos perdido o voo, antes mesmo de ouvir a atendente dizer, num triste inglês e com muito mau humor:

- Sorry. You are late.

O check-in acabava às 9h20. Meu relógio marcava 9h21.

Extenuados, ainda reclamamos aqui e ali, em inglês e francês, mas sem resultado prático. Logo entendemos que seria preciso aceitar a derrota, e rapidamente ver pelo lado bom: foi por 1 mísero e insignificante minuto. Não foi uma derrota de 7 a 1. Somos um time que lutou até o fim. Então sentamos em algum lugar e pedimos um café. O silêncio imperava entre nós, inegavelmente nossas forças foram embora junto com aquele voo para Liverpool, mas também poderia arriscar que ambos estavam quietos porque pensavam:

- E se a gente tivesse saído 1 minuto mais cedo da casa da Vanessa?

Casa da Vanessa

Antes, uma pergunta: quando acontece algo muito bom no seu dia, mas esse algo muito bom de certa forma influencia – não estou dizendo causa, ou é culpado, mas apenas influencia – o acontecimento de algo que será considerado ruim, o que devemos fazer em relação ao algo bom? Crucificá-lo? Mas não se pode crucificar algo bom, que o diga Jesus.

O algo bom dessa história nada bíblica é a casa da Vanessa na noite anterior. No segundo andar de um prédio próximo ao metrô Arts et Métiers, quatro apartamentos se apresentam idênticos ao visitante de primeira viagem: quatro portas de madeira escura. Um olhar mais atento, porém, revela uma mancha vermelha no centro de uma das portas, e um olhar ainda mais atento mostra que não se trata de mancha coisa nenhuma, e sim de um adesivo da festa paulistana Talco Bells, o que não só é insólito e arranca um sorriso de qualquer brasileiro que por ali passar e tiver ciência da festa – lembremos que estamos em Paris, e talvez já passe das 22h – como significa que ali mora um brasileiro, o Gabriel, e uma brasileira, a Vanessa, uma amiga da faculdade que vive em Paris há 3 anos, e de quem nunca fui muito próximo, mas sempre tivemos aquela proximidade que um amigo muito antigo e fiel certa vez me definiu – “boas amizades independem de espaço e tempo” – e a Vanessa entra nesse lista, por que sempre simpatizamos um com o outro. De modo que, quando ela abre a porta do seu apartamento e eu ouço uma música tocando, eu deveria ter entendido aquilo como um claro sinal de que aquela seria uma noite boa, de papo bom, de música boa – ou seja, algo bom – e que certamente nos levaria longe demais no horário, longe quem sabe até para perder o voo - o algo ruim - mas é claro que eu não entendi assim, e entrei. Alguns minutos na cozinha, já de copo na mão, ouço alguém na sala cantando uma canção em altos brados. É um amigo cubano da Vanessa. Eu não o conheço, ele não me conhece, mas eu acho que poderíamos ser bons amigos, porque ele está cantando “Llueve Sobre Mojado”, de Fito Paez e Joaquin Sabina, uma música argentina de dois caras argentinos que até então, até aquele momento num apartamento em Paris, eu achava que só eu conhecia, e que só eu a cantava em altos brados. O cubano está indo embora, mas deixa o som ligado numa playlist com tanta música boa que nós só fomos mexer no som quando finalmente a boa playlist do bom cubano por fim terminou. Não sei dizer exatamente quanto tempo ela durou, porque é preciso confessar que enquanto a playlist tocava, a gente bebia, e em algum momento abriu-se uma garrafa de cachaça, o que, sabemos, faz todos os relógios internos e externos se quebrarem, e transforma o tempo em uma bola molhada que jogamos na mão de Deus, porque nossas mãos agora seguram copos.

Só mudamos a playlist quando descubro que Gabriel gosta de Sly & Robbie, outra dupla de música – dessa vez jamaicanos –que eu achava que pertencia só a mim. Aquele apartamento em Paris estava cada vez mais interessante. Coloco “Nobodies Dub” para Gabriel ouvir, porque é a minha preferida deles, e nós dois ficamos em frente às caixas de som dançando enquanto simulamos movimentos de baixistas. Depois, falamos sobre Paralamas, Titãs, jornalismo musical, mas logo voltamos pro reggae, e Gabriel coloca um vídeo de Peter Tosh tocando com Sly & Robbie e um time espetacular de músicos jamaicanos dos quais ele sabia todos os nomes, e eu não. Esse apartamento em Paris estava cada mais interessante. A noite acabou com o Gabriel e o Nicola se infurnando num papo/playlist de Beatles, e foi ao som deles que eu olhei pela janela e vi um mínimo sinal de que o dia poderia, de repente, quem sabe, estar amanhecendo. Foi o único sinal que eu vi naquele apartamento interessante de Paris, ao som dos Beatles, feliz por ter feito um novo amigo, reforçado uma antiga amizade e tido uma noite inesquecível e bastante musical. Sinal de que ia perder o voo? Não vi nenhum.

Uma noite antes, em Belleville

Nossa estadia em Paris duraria 3 dias e ficaríamos hospedados na casa de um casal, Armagan e Cris, que vive em Marie de Lilas, um bairro do subúrbio parisiense que há anos era considerado decadente e que, nos últimos tempos, vem se transformando em uma região com forte apelo artístico e onde vivem músicos, artistas e intelectuais. Armagan e Cris vivem numa casa que se pode definir como charmosa e exata – charmosa porque possui portão baixo, um pequeno jardim na entrada, poucos móveis mas todos coloridos, uma sala aconchegante, dois quartos, sendo o deles com uma varanda, e exata porque qualquer uma vez ali dentro você compreende que não é preciso mais do que isso para viver, mesmo que você viva em Paris, a mais bela e charmosa cidade do mundo – mas nada é tão charmoso do que ter uma casa exata, mesmo em Paris.

Foram eles que nos convidaram para o show de Jean-Jacques Birgé, um músico francês especializado em jazz, também amigo e vizinho do casal e, segundo Armagan me diz no café da manhã, é um gênio musical deliberadamente independente da cena mainstream parisiense. Primeiro, disseram que o show seria às 22h, depois mandaram mensagem dizendo que o show passaria para meia noite e, finalmente, anunciaram que Jean Jaques começaria a tocar às 2h. Esta informação, embora aparentemente banal, se tornou algo interessante quando que não foram poucas as pessoas que me disseram que a noite da cidade está careta e acabando cada vez mais cedo. O nome da casa de show: La Java, na região de Belleville. O que fazer até a hora do show: sei lá. Beber?

Nos dias de semana, o metrô de Paris encerra suas atividades à 0h30. Por isso, um pouco antes, tivemos que descer em Belleville na esperança de houvesse um bar que nos permitisse beber enquanto não chegava a hora do show. Logo na saída do metrô, a boa notícia: um bar aberto. Conforme andávamos até ele, mais notícias boas: ele tinha mesa nas calçadas. Uma vez lá dentro, as notícias iam ficando ainda melhores: era uma casa pequena, com espaço para um balcão, uma pista paralela a ele e um banheiro unissex ao fundo. O som saía de potentes caixas de som pregadas nos quatro cantos do bar, e tão alto, mas tão alto, que o garçom francês dizia “no english! no english!”, mas eu não ouvia nada. Tudo o que eu ouvia era:

Come here mama

and dig this crazy scene!”

Inebriados com esse som, deslumbrados com a casualidade de encontrar o bar certo na hora certa e influenciados pelas cervejas baratas que o garçom francês - quando finalmente me entendeu - trazia com muito bom humor, nós estávamos bem o suficiente para encarar a pé uma rua escura e silenciosa que nos levaria ao La Java. Eram 2h.

La Java

Eu não estava preparado para Jean-Jacqués. Nem pro La Java. Primeiro, é mais fácil explicar o La Java: típica caverna, uma pequena casa de shows que fica dentro de uma galeria no meio de uma rua vazia de Belleville; lá dentro, uma recepção de decoração brega e escadas, que quando usadas, levam a uma sala com cadeiras estofadas e um balcão onde se vende muitos tipos de bebida, inclusive cerveja. Esta sala dá acesso a outra sala, que no meio desenvolve uma pista de dança, e nas laterais pequenas muretas que parecem de arquibancadas de estádio de futebol, onde vejo duas ou três pessoas sentadas, mas não é possível garantir, porque a escuridão é tremenda. Ao fim da pista, tem se o palco, pequeno e claustrofóbico. Lá em cima, rodeado de dois teclados, um MacBook e uma parafernália de efeitos, botões, microfones e possibilidades, está um senhor de 61 anos, cabelos brancos, camisa xadrez amarela e azul e um dos maiores músicos que já vi ao vivo.

O show que Jean Jacqués apresenta não é jazz, embora ele toque trompete em canções que lembram – lembram – a fase On The Corner de Miles Davis. Não é a música eletrônica, ainda que quase tudo seja tocado a partir de botões. O show que Jean-Jacqués apresenta é para ser presenciado de joelhos, com o público fazendo reverência a cada 2 minutos. Mas também deveria ser presenciado em sala de aula, todo mundo de caderno na mão anotando cada milímetro de seus movimentos – o disparo, via MacBook, de uma base eletrônica hipnotizante, a inclusão de um efeito cuja potência ele controla nos dedos, como fazemos ao aumentar ou abaixar o volume de um rádio antigo, ou ainda seu brilhante talento para tocar teclado, ao mesmo tempo, sem parar. Para uns poucos, o show de Jean-Jacques deveria ser presenciado numa oficina científica, onde pesquisadores renomados o colocariam numa sala de vidro e estudariam como é possível aquele amável senhor fazer um som inclassificável, revolucionário e – atenção – ainda colocar para dançar os poucos mais de 20 jovens que estavam ali, à sua frente, topando toda aquela loucura genial.

O show de Jean-Jacqués, surpreendentemente, também deveria ser presenciado por malucos que vão ao La Java.

Ao final do show, Armagan e Cris nos convidam a ir a casa de Jean-Jacqués. Era um convite impossível de não aceitar, por que a essa altura Jean-Jacqués já havia se tornado um ídolo para nós, e ir à sua casa era uma espécie de recompensa apressada pelo fanatismo que devotaríamos a ele ao longo dos anos.

Na porta do La Java, cumprimento Jean-Jacqués. Ele é sorridente, calmo e fala comigo em inglês. Tem aura de artista – você fica olhando para ele como se estivesse assistindo televisão. Seus movimentos corporais são artísticos, e quando ele fala todo mundo em volta escuta. É mágico. São 4h e eu estou ajudando Jean-Jacqués a pensar como encaixar sua parafernália de instrumentos dentro do porta malas de seu carro. Problema resolvido, entramos no banco de trás – eu, Nicola, Armagan e a esposa de Jean-Jacqués, da qual não me recordo o nome, figura iluminada, e Cris na frente – e o Nicola vai escondido no vão entre o banco de trás e o da frente, porque a polícia pode ver e não gostar de tanta gente no carro, é o que diz Jean-Jacqués enquanto dirige às 4h15 pelas ruas de Belleville, sentido Marie de Lilas.

Em sua casa, uma mistura de casa de vó e Castelo Ra-tim-bum, eu levo seus instrumentos até uma sala grande, que logo vejo ser seu estúdio. Penso em ficar ali e perguntar-lhe cerca de 320 coisas. Mas sua esposa nos chama na sala principal, quer saber o que queremos beber. Eu não respondo de primeira porque estou vidrado em sua estante lotada de livros sobre música – sim, uma estante apenas com livros sobre música – e respondo à sua esposa que quero cerveja, ela me traz a lata, eu me sento numa poltrona que me deixa quase em frente à Jean Jacqués, e sentado e com a adrenalina mais baixa eu confirmo que estou muito bêbado, e fico ouvindo aquelas pessoas conversarem animadamente em francês, e eu e o Nicola não entendemos nada. A lata de cerveja que tenho na mão é verde e seu nome está escrito em chinês. No dia seguinte, Jean-Jacqués aceitou me receber em sua casa, mas houve uma tragédia chamada ressaca e, quando eu acordei, Jean-Jacqués tinha compromisso.

Mas eu garanto que é tudo verdade, que na minha penúltima noite em Paris, eu vi Jean-Jacqués Birgé tocar ao vivo numa caverna de Paris e logo em seguida estive em sua casa.

Um erro

Naquela tarde, nós subimos a Torre Eiffel. É legal. É alto. Mas mais legal, talvez, tenha sido descer a torre Eiffel – o que era possível descer de escadas, nós descemos, e são escadas que não acabam mais. Em terra firme, olhamos no relógio: são 20h. Horas antes de subir e descer a torre, eu estava passando na catraca do metrô Cité quando vi um cartaz anunciando shows musicais em Paris no mês de outubro. Parei em frente ao cartaz e fiquei lendo os nomes das atrações. Não conheço, não conheço, não conheço. Eu queria conhecer todos, é claro, mas não havia muito tempo para anotar ou pensar, eu estava no metrô, e quando já estou desistindo e voltando para a catraca, um nome se ilumina no fundo branco do cartaz: Dom La Nena. A cantora brasileira. Quando? Hoje. Caramba, é hoje. Vamos? Vamos. Colo os olhos no cartaz para ver o local e horário. Guardo na cabeça, mas olho de novo e vejo que embaixo do nome de Nena há um outro nome, leio em francês algo como “participação especial de”...

Rosemary Standley.

Pra maior parte da população, Rosemary não é ninguém digna de nota, mas pra mim é como uma rainha musical, cuja voz, quando eu ouvi pela primeira vez, me chocou profundamente. Rosemary é cantora de uma banda francesa que canta em inglês americano, da qual eu sou extremamente fã, chamada Moriarty, e essa banda – embora excelente – não faz muitos shows, e quando os realiza, é sem avisar, em locais como “na frente de uma livraria” ou “naquele barco abandonado” ou mesmo “numa rua de Paris”.

Quando eu estou na frente da torre e olho no relógio, faltam 45 minutos para o show começar. Dava tempo. Chega atrasado se for o caso. Vai até a porta, descobre que tá esgotado, mas vai. Sabe o que eu faço? Não vou. E sei lá porque, vamos parar na Champs Elysée, que já consideraríamos bastante chata por si só, quanto mais com a crescente percepção que nos acometia, enquanto caminhávamos pela mais bonita e comercial avenida de Paris, que não deveríamos estar ali, e sim ouvido Rosemary me chocar ao vivo.

Moriarty

Entro numa loja em Montmartre e está tocando Moriarty. Deus castiga quem vai pra Champs Elysée.

Montmartre

Passo em frente a um minúsculo restaurante de fachada vermelha, cuja janela dá para a cozinha, e atrás da fumaça causada pela preparação de deliciosas iguarias, há um piano encostado na parede, e está sendo tocado por um careca parecido com Gerard Depardieu. Ao seu lado, um baterista que eu imagino que poderia ser o louco do Jim White desbravando ritmos nunca dantes navegados. Fico na janela em frente a um ponte de Nutella vendo-os tocar e pensando: Deus também afaga.

A playlist da Amelie

Estou no Deux Moulins, o café que serviu de cenário para o filme Amelie Poulain e que continua igualzinho que se vê no longa. No tempo em que tomo um café barato e bom, sentado no balcom, eu ouvi essas três músicas, nesta ordem, e também guardei três sachês do açúcar daquele lugar, para dar de presente para a Be:

No metrô

Ao chegar de Amsterdã e dar de cara com Paris, eu não vejo o Louvre ou o Sena, nem mesmo o porre da Champs. Eu vejo o metrô e seu sistema de linhas coloridas, que soa familiar para quem vive em São Paulo. O metrô está vazio, é bem cedo, então me sento, e enquanto ele se movimenta eu vou lendo os nomes das estações, a cada vez que a voz do metrô diz o nome da estação – Chatêlet, Saint Michel, Cité, Republiqué, Porte Deuphine – eu vou me sentindo mais e mais em Paris. Para mim, aquela era uma cena importante do filme da minha vida. Então coloquei os fones de ouvido para escutar Peter Saardest cantar “Where do You Go To My Lovely”. Por que essa era a música que mais me lembrava Paris até ali, até entrar em Paris pela primeira vez. Logo esta relação não existirá mais dentro de mim – a relação Peter e Paris – depois de tanta música que a cidade me apresentará. Mas, ainda bem, naquele instante eu não sabia nada disso.

A série Diários Musicais começou em Amsterdã - leia aqui.

***

fotos | eduardo lemos

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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