Azoofa Indica: Edgard Scandurra e Silvia Tape

Em 2009, Edgard Scandurra começou a compor "uma série de temas sem letras, mas com uma certa identidade em comum", segundo ele. Ainda sem saber direito o que fazer com estes materiais, o guitarrista enviou uma destas faixas para a cantora Silvia Tape. Tempos depois, ela lhe devolveu a trilha com letra e voz. Edgard, então, mandou mais um tema daquela série. E Silvia devolveu com outra letra. E foi assim, como numa caminhada que se faz pé ante pé, que Edgard e Silvia construíram uma parceria.

No final de 2015, os dois lançaram "EST", disco com 10 músicas inéditas. O álbum já está disponível para download gratuito, streaming e em CD - em breve, sairá também em vinil e K7. Neste sábado, eles se apresentam pela primeira vez em São Paulo, no Sesc Belenzinho, acompanhados por Thadeu Meneghini (baixo), Lucinha Turnbull (guitarra/violão), Carlinhos Mazzoni (bateira) e André Lima (teclado/synth) - saiba mais sobre o show aqui.

Nos intervalos da correria inerente a qualquer estreia - Edgard, mais de 30 anos de carreira depois, admite que "sempre há um frio na barriga" -, ele e Silvia falaram com exclusividade para o Azoofa sobre o disco, a identificação entre eles e o show deste sábado.

AZOOFA: Há quanto tempo vocês alimentam a ideia de gravar este disco? Por que ele foi lançado agora?

Edgard Scandurra: Esse trabalho teve início em 2009, quando eu comecei a compor uma série de temas sem letras, mas com um certa identidade em comum. Timbres e linhas harmônicas levavam essas músicas para uma paisagem única. Quando mostrei esses temas para a Silvia, e ela fez uma letra muito bonita e gravou sobre uma base simples de violão que eu havia feito, começamos a desenvolver um método nosso onde eu mostrava os temas e ela me devolvia com sua voz e letras. A partir daí, tivemos 2 anos para entre criação, arranjos e gravação, até chegarmos ao disco.

O que veio primeiro: as músicas que chamaram a gravação de um álbum, ou vocês idealizaram o disco e aí foram compor as canções para ele?

Silvia Tape: Foram as músicas que levaram à gravação deste álbum. De início, não imaginávamos que estávamos compondo pra um disco. Na época, o Edgard estava elaborando a ideia de gravar com várias cantoras, e foi quando me mandou uma de suas músicas, que hoje se chama Concha. Logo percebemos uma grande conexão e afinidade musical. E a partir daí, ele me mandou as outras e, como eu havia dado um tempo com meu trabalho solo, foi uma chance que tive de me debruçar sobre essas canções. Quando vimos, já tínhamos várias músicas. E um dia ele disse: podemos gravar um disco!

Edgard Scandurra: Cada música teve uma história diferente, mas em boa parte, eu mandava os temas instrumentais e a Silvia gravava sua voz. Eu e ela usamos o GarageBand, que foi importante para preservarmos um clima que acabamos mantendo quando entramos no estúdio.

A imprensa tem chamado o disco de “suave” e destacado suas belas melodias. Mas as canções tem uma leve tensão... Que “clima” vocês estavam buscando para o álbum? 

Edgard Scandurra: Eu acho que é assim que vivemos, procurando a leveza das coisas, mas encarando as tensões e emoções do que vivemos. Eu vejo um cenário, uma paisagem nesse álbum onde os contrastes se completam.

A Silvia disse que nesse disco ficou à vontade para escrever “diferente”. Edgard, para você, o que esse disco e essa nova parceira trouxeram de “diferente”?

Edgard Scandurra: Eu me senti muito à vontade nas gravações, com uma deliciosa sensação de que estávamos fazendo um disco de muita personalidade e beleza.

O disco está para download gratuito e está sendo lançado por um selo pequeno. Edgard, você acha que seria possível lançar um disco como o “Est” nos anos 80 e 90, por exemplo, quando as gravadoras detinham o poder sobre o que deveria ou não ser lançado?

Edgard Scandurra: Essa é uma comparação muito difícil de fazer, porque não havia internet e downloads. Vejo o tamanho das gravadoras hoje e o tamanho delas no passado: prédios de 4 andares somente para uma gravadora se transformaram em pequenos escritórios. Os momentos são outros, as mídias... algumas coisas melhoraram e outras não, mas precisamos nos adaptar e, sempre que possível, tentar ser o dono de nossas obras.

Vocês fizeram um bonito show no Sofar Sounds, só os dois, sem banda. Esse é um disco que possibilita esse tipo de formação?

Edgard Scandurra: Foi muito bonito mesmo esse show. Acredito que eu e a Sil criamos uma química muito legal que nos permite esse tipo de apresentação. Mas para passarmos a sonoridade do disco, sempre será melhor com a banda.

Nesse show do Belenzinho, Thadeu, Lucinha, Carlinhos e André estarão com vocês. Como está sendo levar eles para os palcos? 

Edgard Scandurra: Excelente, pois são músicos e amigos experientes e que nos dão segurança. Sempre há um frio na barriga de quem lidera um trabalho musical e, pela minha personalidade tímida, como a da Silvia também, é bom ter amigos competentes ao nosso lado.

Por fim: houve alguns discos que influenciaram vocês na criação do “EST”?

Edgard Scandurra: Trabalhos do pós punk inglês e nossa vivência dentro da música. Gosto de ver esse disco visto como algo alternativo sem ser transformado em maldito.

*** arte | belisa bagiani
Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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